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Como retomar o crescimento econômico?
Que a economia brasileira se encontra em desaceleração já a algum tempo, é mais do que certo até para aqueles mais desconexos com o noticiário econômico. Quando destrinchamos os dados econômicos do Brasil, podemos perceber que foi a partir do segundo trimestre de 2010 que a desaceleração da taxa de crescimento do PIB brasileiro se acentuou. Vejamos alguns detalhes.

Mais atentamente, olhando os dados do primeiro decênio dos anos 2000 e até mais recentemente, o consumo das famílias foi importante para manter a dinâmica endógena do crescimento nestes anos, embora tenha sido precedida por um importante crescimento nas taxas de investimento (FBCF) no período, que possibilitaram o desenvolvimento de maneira endógena. Já o setor externo, por sua vez, teve um papel importante na redução da taxa de crescimento, mas dado seu peso para a demanda agregada, não explica sozinho a desaceleração. Sendo assim, podemos dizer que a variável chave para o entendimento da desaceleração repousa sobre a indústria brasileira, que durante o período perdeu participação relativa no PIB e cresceu a taxas cada vez menores, enquanto serviços e o agribusiness foram melhores.

Ao buscarmos respostas teóricas para a retomada, ambas as linhas de pensamento econômico, ortodoxo e heterodoxo, se aproximam no diagnóstico de que para superar a fase do baixo crescimento, é preciso restaurar a competitividade brasileira e aumentar o nível de investimentos. Contudo, acredito que não se trata de adotar um ou outro modelo, trata-se de rebalancear a economia, formar-se um novo arranjo que dê bases sólidas para uma nova fase de crescimento endógeno da economia.

Não obstante, limitando-me a este breve ensaio, sem uma análise histórica mais longa e detalhada, sem testes empíricos para a comparação com outras economias não é possível determinar qual das soluções apontadas é a mais viável, tanto pela ortodoxia como pela heterodoxia, e faz se impossível dizer quais dos arranjos ou modelos propostos é o mais capaz de restaurar o ciclo de crescimento de maneira robusta no Brasil. Apesar disso, nota-se que o entendimento da heterodoxia acerca do diagnóstico pelo qual passa o Brasil neste período é mais complexo e responde de maneira mais detalhada as questões propostas, ao meu ver.

Por fim, entre as duas linhas de pensamento econômico há um arranjo básico e que converge entre ambas que pode ser exposta em três pontos: i) aumento dos investimentos em infraestrutura; ii) educação de qualidade, para melhor qualificação da mão de obra; iii) maiores incentivos a pesquisa e desenvolvimento, para inovação tecnológica.

Porém, destacam-se dois pontos adicionais, frequentemente associados ao pensamento heterodoxo que seriam também capazes de promover a volta do crescimento e desenvolvimento econômico, sendo estes: iv) uma política industrial, que reverta o quadro de desindustrialização; v) e a criação de conjuntura econômica favorável que seja capaz de cooptar tanto o empresariado como o estado sob uma mesma estratégia, visando uma política de desenvolvimento econômico.

Sendo assim, se o governo objetivasse uma retomada do ciclo de maneira mais vigorosa, veríamos políticas econômicas que convergissem para esses cinco pontos supracitados, o que não nos aparece no horizonte momentaneamente.

Fonte: Anfir